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segunda-feira, 26 de julho de 2010

O abraço

Sabe aquele abraço? Aquele que você recebe num momento de profundo desespero... quando a desolação é tamanha que chega a doer fisicamente?
Ele vem de forma totalmente inesperada, mas, mesmo com curta duração, tem o poder de anular todo o sofrimento por alguns longos segundos... Durante ele a gente entende que são nos momentos de maior dor que temos também a chance de encontrar o carinho sincero. É aquele abraço verdadeiro, que realmente te conforta. É estranho, mas consegue expressar uma concreta troca de sentimentos. É intenso. E não é necessário trocar uma palavra sequer... É aquele abraço que sucede apenas uma troca de olhares... e tudo fica suspenso... Neste momento, as emoções, a troca de sentimentos, são as únicas coisas que acontecem, como se tudo, todo o resto, simplesmente deixasse de existir.
Palavras não são capazes de descrever a intensidade desse gesto. Somente quem o sentiu pode entender. É um abraço que a maioria das pessoas nunca trocou e nem trocará durante suas vidas... É raro... resulta da somatória de diversos fatores... é uma química... chega a ser místico... Um gesto que exprime uma compreensão mútua.
Compreensão............. compreensão............... talvez seja essa a grande chave... o que o torna único, que o destaca de todos os outros... Porque, não, esse abraço não é “mais um”. É completamente diferente dos demais, hoje em dia tão mecanizados, tão vazios, tão falsos... tão sem sentido...

Esse abraço não é racionalizável. É profundamente sincero e espontâneo, aí entra a questão da química, porque é preciso que seja assim de ambas as partes para que toda a silenciosa explosão de sentimentos seja mútua.
Os momentos de maior dor podem, também, nos trazer as maiores surpresas... que nos fazem perceber que a vida é uma mistura. Não há maniqueísmo. Muitas vezes, temos a impressão (ou até mesmo a certeza) de que estamos vivendo ou sentindo algo predominante; nos esquecemos de que nada é unilateral. E... na maior parte das vezes... são atos simples e muito pequenos que conseguem realizar a mágica de nos fazer perceber que a maior oportunidade de aprendizado está na multiplicidade e na simultaneidade das emoções que a vida é capaz de nos dar.
Naquela madrugada fria, no jardim, enquanto olhava para o céu (não sei dizer se haviam estrelas, era aquele olhar que não vê...), escutei um carro estacionando, me virei, avistei um táxi e tive um sobressalto... Ele veio em minha direção, eu já em soluços... e tive a felicidade de receber esse abraço num dos momentos mais dolorosos de minha vida. Confortou-me naquela madrugada fria e me conforta até hoje, pois todas as vezes que me vem à memória junto vem também tudo o que senti. Foi um momento de profunda tristeza, mas aquele abraço aqueceu minha alma, meu coração...


A memória é uma coisa surpreendente, é capaz de nos trazer de volta não só histórias, mas cheiros, sensações, sentimentos... E a lembrança desse abraço me faz reviver aquele momento de conforto, aquela sensação de cumplicidade na dor e a certeza de que ela, apesar de triste, pode nos proporcionar serenidade.

1 comentários:

Janaína disse...

Ai, ai... :-)

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