sábado, 5 de junho de 2010
O último metrô (Le dernier metró)
quarta-feira, 2 de junho de 2010
Dica: 14 filmes sobre o Holocausto

O fim do filme foi criticado e classificado como bobo por alguns, mas a atuação de Karl Markovics no papel de Solomon impressionou e foi aclamada pela crítica e pelo público. Ele impressiona pela ambigüidade. Ao mesmo que procura sobreviver a qualquer custo, algo compreensível, ele usa para isso algumas táticas de dar arrepios.
Em recente entrevista publicada por ÉPOCA, o astro do filme, Daniel Craig, falou sobre a polêmica que o filme criou e disse que isso é reflexo do fato de os personagens não serem unidimensionais. Na opinião de Craig, o ponto crucial da história é que os atos dos irmãos Bielski salvaram 1,2 mil pessoas do Holocausto, “e é isso que conta no final”.
Durante o festival de Cannes, realizado na semana passada, o diretor Quentin Tarantino revelou que sua maior dificuldade para fazer o filme foi justamente o fato de o pano de fundo ser a Segunda Guerra Mundial. Tarantino disse que o rumo da História se tornou um muro contra o qual sua criatividade se chocava, um fenômeno novo, já que ele sempre trabalhou com total liberdade. O diretor disse, no entanto, que encontrou uma solução para o problema. "Eu estava preparado para respeitar o rigor histórico, mas depois pensei: 'meus personagens não sabem que estão na História.”
Com Tom Cruise no papel principal, conta a história real de um coronel alemão que se opõe ao nazismo e planeja um atentado contra Adolf Hitler. Claus von Stauffenberg passa alguns anos tentando persuadir outros militares a participar da ação e, em 20 de julho de 1944, com o apoio de oficiais não pertencentes à SS (polícia nazista), planta uma bomba onde o führer fazia um discurso. Obviamente, Hitler não morreu, mas a conspiração continuou e ficou conhecida como Operação Valquíria. Foi visto por mais de um milhão de brasileiros.
Criança e Holocausto são temas que, juntos, têm alto potencial de comoção. O Menino do Pijama Listrado, que estreou no fim do ano passado, é sobre a amizade entre dois meninos de oito anos que vivem separados por uma cerca eletrificada. Bruno é filho de um oficial nazista e Shmuel, que usa o pijama do título, está preso em um campo de concentração. Ingênuo, Bruno acha que aquela gente que vive do outro lado da cerca é camponesa, mas não entende o motivo de tanta infelicidade, muito menos da roupa listrada que seu amigo veste. As conversas com Schmuel mostram a ele o que realmente acontece do lado de lá do arame farpado e põem fim à sua ilusão.
A Espiã (dir.: Paul Verhoeven, 2006) A cantora judia Rachel Steinn vê sua família ser assassinada pelos nazistas e resolve se transformar na espiã Elis de Vries. Para enganar a SS, a polícia nazista, chega a tingir os cabelos e os pelos pubianos para se passar por ariana. Seu plano é criar um movimento de resistência para libertar refugiados. A dupla identidade causa a Rachel sentimentos díspares, divididos entre a personagem que incorporou e seu triste passado. Retrata uma vida entre tantas que sobreviveram aos golpes profundos da guerra.
A Queda – As últimas horas de Hitler (dir.: Oliver Hirschbiegel, 2004)O filme não fala necessariamente do Holocausto, mas mostra o suicídio de quem o liderou. A Queda revela um pouco da personalidade de Adolf Hitler, que persegue seus objetivos cegamente, e alguns de seus seguidores. O foco principal são os últimos 10 dias do ditador, visivelmente alterado, em um bunker de Berlim. Assim como o führer, muitos nazistas cometeram suicídio quando souberam que haviam perdido a guerra, com a chegada dos soviéticos à capital alemã. O filme é narrado sob a ótica da secretária de Hitler que, como tantas outras pessoas, corroborou com o Holocausto sem querer ou saber.
O Pianista (dir.: Roman Polanski, 2002) O diretor Roman Polanski é um sobrevivente da Segunda Guerra Mundial. Judeu, fingiu ser católico no interior da Polônia para escapar dos nazistas. Mas não é sua a história que ele conta no filme. Polanski fala de Wladyslaw Szpilman, um pianista que foge de um gueto de Varsóvia, na Polônia, antes de ser levado para algum campo de concentração. Os guetos eram áreas criadas pelos nazistas para isolar a população judaica. No começo da fuga, o pianista consegue ajuda. Mas, com o prolongamento da guerra, arrasta-se por prédios abandonados, sem comida nem perspectivas. A atuação de Adrien Brody, o pianista, valeu um Oscar. O filme também ganhou o prêmio de melhor direção e roteiro adaptado.
Cinzas de Guerra (dir.: Tim Blake Nelson, 2001)Se caminhar em direção à câmara de gás é uma tortura, imagine levar seus próprios pares para a morte. É o que fazia um grupo de judeus nos campos de concentração, os Sonderkommandos. Além de conduzir seus companheiros, tinham que levar seus corpos para a fornalha. Cinzas de Guerra relata os conflitos que esses homens viviam – até se rebelarem, em Auschwitz. É a história real do único levante ocorrido no pior campo de extermínio da Segunda Guerra Mundial.
Um ano depois do sucesso de A Vida é Bela, os europeus lançam outro filme sobre o Holocausto, que também ganhou prêmios mundo a fora – inclusive na Mostra Internacional de Cinema de São Paulo. O Trem da Vida mostra a trajetória de moradores de uma aldeia judia do leste europeu que, ao saberem da aproximação dos nazistas, fogem de trem para a Rússia. Para passarem despercebidos pelos alemães, fingem que foram capturados pelo exército de Hitler e estão a caminho de um campo de concentração. A bordo, há os capturados, os oficiais da SS disfarçados, a tripulação. A farsa se transforma em cruel realidade quando os passageiros começam a se comportar como os personagens que interpretam.
O longa italiano foi aclamado pelo público, mas criticado pelos ortodoxos por tratar do Holocausto de uma forma mais performática (e cômica) do que austera – ainda assim, escancara para o espectador as tragédias nos campos de concentração. A atuação de Roberto Benigni como Guido, um pai com força extraordinária para salvar o filho da morte e da realidade da guerra, garantiu-lhe um Oscar de melhor ator. A Vida é Bela (que também levou os prêmios de melhor filme estrangeiro e trilha sonora) é uma espécie de fábula trágica que termina com final feliz.
A Lista de Schindler (dir.: Steven Spielberg, 1993)Clássico sobre o Holocausto, ganhou de sete estatuetas do Oscar em 1994, entre elas o de melhor filme e diretor – o primeiro de Steven Spielberg. A Lista de Schindler conta a história real de um empresário que salvou milhares de judeus na Segunda Guerra Mundial. Antes que fossem mandados para os campos de concentração, Oskar Schindler os empregava em sua fábrica. Aparentemente atrás da mão-de-obra barata oferecida pelos presos, conseguiu o apoio dos nazistas. A atmosfera em preto e branco imprime ao filme o terror do qual aqueles judeus foram poupados e a tensão pela qual passou Schindler – um dia os nazistas descobririam que não era preciso tanta gente para operar seu negócio.
O Diário de Anne Frank (dir.: George Stevens, 1959)O diário de uma garota de 13 anos durante a Segunda Guerra Mundial foi uma das provas mais concretas do temor pelo qual passaram os judeus naquela época. Anne Frank e sua família se esconderam durante dois anos com medo de serem levados a um campo de concentração. Sua última frase foi escrita em 1º de agosto de 1944. Três dias depois, os alemães prenderam toda a família. Anne morreu de tifo em março de 1945, num campo de concentração. Não sobreviveu para contar história, mas suas palavras ainda ecoam na luta contra a intolerância étnica. Foram adaptadas para a Broadway, para o cinema – neste filme que ganhou três prêmios Oscar – e para a televisão.
Ainda sobre Hitler e o Nazismo na Alemanha...
Algumas pessoas são contra a manutenção desses locais como pontos históricos a serem visitados, mas estes "memoriais" são imprescindíceis para que toda a triste história ali ocorrida não seja apagada da memória coletiva, jamais.
As fotografias são do campo de concentração de Dachau, perto de Munique, no sul da Alemanha. Foi o primeiro a ser construído e serviu de modelo para os demais. Chegou a abrigar mais de 200 mil prisioneiros de mais de 30 países. O campo chegou a possuir câmara de gás, mas não foram encontrados registros de sua utilização. Leia mais.
1940 - 1515
1941 - 2576
1942 - 2470
1943 - 1100
1944 - 4794
1945 - 15384*
*Houve o reaparecimento da epidemia de Tifo o que elevou a taxa de mortalidade).
Para quem se interessar, aqui está o site oficial do "Dachau Concentration Camp Memorial" .
Como dito no post Arquitetura da destruição: a fabricação cultural e Hitler e o Partido Nazista, a "grande contradição dessa 'fabricação cultural' foi utilizar-se da arte e da cultura, que possuem como preceito fundamental a capacidade de diferenciação, “que move o indivíduo para longe da indiferença” (COELHO, 1989) e são instrumentos de conscientização, para um projeto que não tolerava o diferente e diluía as informações de maneira a manipulá-las para benefício dos projetos de Hitler e do Partido Nazista (ALTRAN, 2006). Por isso fala-se tanto na necessidade em se conhecer a história. Somente conhecendo-a é possível compreender o presente e construir um futuro mais justo. Ter acesso às informações de nosso passado é um preceito fundamental para formarmos cidadãos conscientes e críticos. "Conhecer" e "pensar sobre" são ações essenciais. A história não é passado. A história é o caminho para o futuro equitativo.
Os resultados do Nazismo nos mostram "o quão perigoso é abrir mão do discernimento, do senso crítico e da lucidez, fatores fundamentais para evitar que nos tornemos '“massa de manipulação' de processos como esse" (ALTRAN, 2006).
Muito já foi dito sobre tudo isso, mas há sempre aqueles que estão em busca de mais informações. Afinal, nem todos tem o mesmo grau de conhecimento...
sexta-feira, 21 de maio de 2010
Arquitetura da destruição: a fabricação cultural de Hitler
Peter Cohen é um cineasta sueco cujo pai, judeu alemão, foi perseguido pelo regime nazista.
"Arquitetura da Destruição" é sua obra mais famosa. Por ser um documentário de longa duração, foi separado em 12 partes no YouTube. Posto aqui a primeira parte para deixá-los com gostinho de "quero mais". Assim, quem gostar poderá assistir as demais partes diretamente pelo YouTube.
Peter Cohen, cineasta sueco, retrata em seu documentário intitulado “arquitetura da destruição” os mecanismos utilizados por Hitler e o Partido Nazista para difundir e viabilizar as idéias nazistas, utilizando para tanto, como pano de fundo, a valorização da arte e da cultura.Em 1933, Hitler chegou ao poder. Líder do Partido Nazista, arquitetou uma verdadeira transformação da Alemanha e de seu povo. Seu objetivo principal era tornar o império Alemão em uma potência mundial e seu povo em símbolo de perfeição e beleza.Resgatou os referenciais de beleza e cultura da arte Clássica (greco-romana) e da Renascença (Itália). Tudo o que fosse produzido deveria levar em consideração os preceitos clássicos. Por embasar suas atitudes nos princípios artísticos e culturais, podemos pensar em conceitos como “ação cultural” e “fabricação cultural”.A ação cultural é um processo com início claro, mas sem fim específico. Por ser “um instrumento deliberado de mudança do homem e do mundo” (COELHO, 1989), não possui “etapas” a serem seguidas, nem objetivo específico a que se deva chegar. A ação cultural deve proporcionar ao indivíduo o poder de “diferenciação” das coisas, ou seja, de questionamento, criando, assim, um senso crítico que deve ser utilizado pelo indivíduo para perceber o mundo a sua volta em todos os seus aspectos, sejam eles, políticos, econômicos, sociais ou culturais.Já a fabricação cultural, “é um processo com um início determinado, um fim previsto e etapas estipuladas que devem levar ao fim preestabelecido” (COELHO, 1989). A ação de Hitler apresenta características pertencentes à fabricação cultural. Podemos pensar que seu projeto, ao utilizar a arte e a cultura como “motivos” de justificação de seus atos, criou um processo de fabricação cultural que possuía muito bem arquitetado suas etapas e um objetivo preestabelecido: a purificação da raça ariana (e aqui está embutido o extermínio do povo judeu como parte fundamental do processo) e a transformação do império alemão em potência mundial, mostrando a superioridade da raça ariana representada pelo povo alemão.Para disseminar as idéias do Partido Nazista e colocar em prática seus planos, usou a publicidade como ferramenta de divulgação de sua filosofia. A utilização da linguagem publicitária foi de fundamental auxílio para a execução de seus projetos. Por meio dela, através de campanhas divulgadas em rádio, jornais, revistas, cartazes e televisão, induziu a população a aceitar e concordar com o que era proposto através dessas campanhas, conseguindo, assim, o consentimento da povo para suas práticas. As informações eram recebidas de forma diluída e imposta, característica da propaganda, considerada o mecanismo ideal para propagação de idéias dessa maneira, que constrói seu argumento de modo a não permitir à maioria dos ouvintes e/ou leitores o questionamento sobre a mensagem que está sendo imposta.Na área da saúde e da beleza humana também deveriam ser seguidos os exemplos clássicos. Pessoas com deficiências mental e física eram rejeitadas e confinadas a lugares separados do restante da sociedade considerada saudável. Campanhas publicitárias endossavam a idéia de que a separação dessas pessoas era a melhor atitude a ser tomada. Em certo ponto do seu governo, Hitler autorizou o assassinato de bebês deficientes, fato esse retratado no documentário de Peter Cohen. No campo das artes, foram organizadas exposições que comparavam fotografias de pessoas deficientes a pinturas expressionistas para mostrar à sociedade a degeneração das artes que estavam sendo produzidas. Essas exposições tinham o objetivo de impor à sociedade a não-aceitação desse tipo de arte. Em contra-partida, organizavam-se, anualmente, grandes exposições artísticas com quadros e esculturas que reverenciam os grandes pintores clássicos e, também, os artistas alemães que seguiam os modelos aceitos e admirados por Hitler.O ditador também incentivou a produção artística que retratava o “trabalho” do exército alemão. Patrocinou a produção artística de alguns pintores, enviados aos campos de batalha, para retratarem o cenário de guerra, de modo a ressaltar de maneira positiva o trabalho dos soldados. Na arquitetura, projetou e executou construções, sempre de grandiosas proporções, para mostrar o poder de seu império.A interferência de Hitler se deu em todas as áreas: política, educacional, econômica, social e cultural, que passaram a ser ditadas em conformidade com as regras impostas pelo Partido Nazista. Limitou o poder de criação e não ofereceu condições para a espontaneidade artística. Direcionou todos os meios para que os resultados saíssem de acordo com seus preceitos. Portanto, podemos afirmar que a Alemanha sofreu um processo de fabricação cultural, dirigido por Hitler e o Partido Nazista.Todas essas atitudes demonstraram a intolerância frente ao “diferente” e ao que não se enquadrasse aos padrões dos modelos impostos. Essa “não-aceitação” impulsionou a execução de verdadeiras atrocidades contra a humanidade, cometidas com a finalidade de “eliminar” tudo o que não estivesse dentro dos padrões culturais estabelecidos. Os resultados desse processo nos mostram o quão perigoso é abrir mão do discernimento, do senso crítico e da lucidez, fatores fundamentais para evitar que nos tornemos “massa de manipulação” de processos como o retratado no documentário. A grande contradição dessa “fabricação cultural” foi utilizar-se da arte e da cultura, que possuem como preceito fundamental a capacidade de diferenciação, “que move o indivíduo para longe da indiferença” (COELHO, 1989) e são instrumentos de conscientização, para um projeto que não tolerava o diferente e diluía as informações de maneira a manipulá-las para benefício dos projetos de Hitler e do Partido Nazista.
COELHO, Teixeira. O que é ação cultural. São Paulo: Brasiliense, 1989. Coleção primeiros passos, 216.
COHEN, Peter. Arquitetura da destruição. Suécia, 1992. 121 min.
domingo, 9 de maio de 2010
Meu projeto de TCC
O escolhido foi o de ação cultural.
O tema é: "A biblioteca da Casa das Rosas: uma análise sobre seu acervo, serviços, usuários e sua interação com o Espaço Haroldo de Campos de Poesia e Literatura."
Minha orientadora: Prof.ª Tânia Callegaro.
Para quem não conhece a Casa das Rosas, acesse o site oficial: http://www.poiesis.org.br/casadasrosas/
Conheça a programação para o mês de maio, clique aqui.
Vinheta oficial:
Conheça a Casa das Rosas, ela fica na Av. Paulista, nº 37, perto da estação de metrô Brigadeiro.
sábado, 27 de março de 2010
Boa noite, Caio.
Porta do quarto fechada. Duas voltas e a chave retinha, como sempre. Um cansaço. Luz apagada.A TV ligada. Som baixinho. Sleep pronto para os 60 minutos de todo dia.
Olho para a escrivaninha. Lá está o livro do Caio. De repente, num movimento nada premeditado, como se meu corpo agisse mais rápido que meu cérebro, lá estava eu deitada, com o livro ao meu lado.
Veio o impulso de ler. Há muito não lia antes de dormir. Na verdade, há muito deixei de ler. No máximo um texto ou outro ou, ainda, apenas as primeiras páginas de algum dos muitos livros comprados e não lidos, que me aguardam na estante ou na bolsa, durante a viagem de metrô, nos raros momentos em que consigo me sentar ou, então, em que não estou com dor de cabeça.
Sim, impulso. Não era vontade, pois o cansaço não dava brecha a este sentimento. Também não era falta de sono. Foi mais uma necessidade. E a luz continuava apagada, a cabeça pesando mais (cansada de tantos medicamentos, resolvi não tomar mais um ). Folheei o livro. Decidi ler a seleção de cartas. As que tinha escrito à mãe.
Deitada, apenas com a parca luminosidade da TV que exibia o início do ZOOM, comecei a leitura...
Sampa 7.2.79
Querida mãe,
estou aproveitando a ida do Augusto para mandar esta carta, escrita na redação mesmo, a senhora sabe, aquelas corridas de sempre. Ando sentindo falta de notícias daí...
(...)
Aqui tá tudo bem – hoje tá um dia de sol lindo, nem parece São Paulo. Acordei às 7 e meia da manhã com a dona Francisca chegando...
(...)
Estou sozinho em casa (hoje chega o Luiz Arthur, que vai ficar uns dias aqui) – Rofran foi fazer um filme em Pirapora, no interior de Minas Gerais, e eu estou até um pouco preocupado, porque Minas inteira está debaixo d’água, e Pirapora é uma das cidades mais atingidas. Ele ficou de telefonar e não telefonou, acho que a equipe de filmagem deve estar ilhada lá.
Fiquei muito contente com a aprovação das gurias no vestibular. Vai ser ótimo para elas, só espero que a Cláudia aguente aqueles demônios do curso de Letras, como a Rebeca ou o Bunse, professor de Linguística.
Interrompi, tivemos uma reunião, agora já é de tarde. Tá uma bagunça isso aqui. Saíram algumas pessoas da revista, acumulou trabalho, ficou meio baixo-astral. Durante a reunião tive uma discussão meio forte com a patroa. Ando meio ofendido com certas coisas – como o diretor marcar uma reunião às 9 da manhã, eu e outros chegamos antes das 9, e ele só pinta às 10 e meia, muito apressado, falando que a revista tá péssima, coisas assim. Falou que tínhamos que reduzir os textos, aumentar as fotos e o visual, que o “leitor não gosta de ler”. Eu disse que tinha irmãs adolescentes que adoravam ler, e que achava que a gente não devia colaborar com a alienação. Ele me chamou de obsoleto, eu fiquei puto e repliquei que minha formação foi feita antes de 64, e que se ele achava que cultura e leitura eram coisas obsoletas então íamos muito mal – e que se ele tava a fim de colaborar com o processo de castração mental da juventude brasileira pós-64, eu não estava. Por aí foi. Numa certa altura, até a senhora acabou entrando na briga. Ele disse que meus títulos pareciam livro antigo de História. Eu falei “minha mãe é professora de História, eu estudei muita História e se a juventude de hoje não sabe nem quem foi Getúlio Vargas é porque não se estuda mais História”. Voou pena. Suei, gritei. Todo mundo quieto em volta. Aí resolvi calar a boca. Afinal, como na fábula do lobo e do cordeiro: contra a força não há argumentos.
Mas ando de saco muito cheio com essas coisas. De repente tô trabalhando num lugar que me obriga a ir contra tudo o que penso e sinto. Não sei como resolver tudo isso. Mas tudo bem, to calmo e ponderado, embora a vontade seja de agredir todo mundo, dizer meia dúzia de verdades e sair pisando duro. Não vou fazer nenhuma loucura.
(...)
(ABREU, Caio Fernando. Caio 3D: o essencial da década de 1970. Rio de Janeiro: Agir, 2005. p. 331, 332)
Engraçado como sempre sou surpreendida pelo Caio.
Não entreguei a tarefa ao final da aula. Não entreguei a tarefa no período da tarde. Não entreguei a tarefa no dia seguinte.
Ainda hoje, não tenho como explicar o que aconteceu. Foram duas semanas pensando, chorando, com um nó na garganta. Nada passava. A única coisa em que pensava era no conto. E quanto mais pensava, menos conseguia fazer.
Aquela chuva, aquela desolação, aquele querer acreditar...
Cheguei ao ponto estático: não podia voltar, não podia seguir adiante.
Apenas semanas depois entreguei meu trabalho.
Foi o encontro com o Caio, o encontro comigo mesma, o encontro com o verdadeiro contexto em que me encontrava.
domingo, 21 de março de 2010
À procura...
Estou à procura de um tema para meu projeto.
Será uma atividade conjunta entre 3 disciplinas da faculdade: Ação Cultural, Editoração Eletrônica e Planejamento de unidades de Informação.
Preciso pensar rápido... e, quanto maior a pressa, menor o raciocínio...















